A contaminação de ecossistemas e cadeias tróficas é uma realidade, causada por maus hábitos de utilização abusiva de químicos na agricultura e de substâncias ativas nocivas que colocam em risco a saúde pública.
A regulamentação da utilização dos produtos fitofarmacêuticos no seio da união europeia veio permitir um maior controlo e segurança na utilização destes produtos químicos, através de uma maior exigência nos estudos das substâncias ativas e sobretudo através da formação e sensibilização dos técnicos que as aplicam.
O controlo efetivo da venda de produtos fitofarmacêuticos, a capacidade de rastreamento da sua utilização e a capacitação e seleção das empresas aplicadoras, leva a que atualmente a utilização destes produtos seja realizada de uma forma mais consciente, profissional, eficiente e sustentável.
O conceito e aplicação da proteção integrada das plantas, veio trazer uma leitura mais abrangente e sobretudo a combinação de várias formas de luta associadas ao combate de doenças, pragas e infestantes, como o controlo mecânico, biológico, biotécnico e cultural.
Passamos de um conceito de erradicação e eliminação, para outro de tolerância e equilíbrio.
Os tratamentos químicos, deixaram de ter um calendário, onde de modo mecanizado se procedia a aplicações massivas, para um procedimento de avaliação de estimativa de risco, com ponderação, avaliação e seleção dos meios de luta mais eficazes, conseguindo-se assim uma grande redução do número de tratamentos e consequentemente de contaminação dos ecossistemas.
Não tenho dúvidas de que os produtos fitofarmacêuticos são e continuarão a ser importantes na nossa sociedade, consciente dos seus perigos e riscos, mas também da sua capacidade e importância no controlo das doenças, pragas e infestantes, dentro de um conjunto de práticas sustentáveis.
Cabe-nos a todos, a participação ativa neste processo, conceitos como ecologia, proteção ambiental, sustentabilidade, obrigam a outros como espírito critico, tolerância e responsabilidade.
A nossa visão deturpada de um mundo perfeito, onde as maçãs apresentam todas a mesma cor e calibre, onde as ruas não podem ter uma erva no passeio e as
plantas que não podem apresentar um inseto, atrasa este processo de redução de utilização de produtos fitofarmacêuticos, fomentando inclusive a utilização e perpetuação como único meio de luta.
É este equilíbrio e sustentabilidade na aplicação de produtos fitofarmacêuticos que vai permitir aplicações mais seguras, localizadas, eficientes e pontuais.